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Mesmo que por inveja, precisamos mudar

Gian Oddi
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Jürgen Klopp e Pep Guardiola: símbolos de uma ideia bem mais saudável do futebol
Jürgen Klopp e Pep Guardiola: símbolos de uma ideia bem mais saudável do futebol Getty Images

Quis o destino que o Campeonato Brasileiro deste ano começasse no mesmo fim de semana de um dos jogos mais brilhantes, se não o mais brilhante, da temporada europeia: o confronto entre Manchester City e Liverpool, líder e vice-líder da Premier League separados apenas por um ponto na liga nacional mais rica do planeta.

Enquanto as duas equipes inglesas jogavam o melhor futebol possível, os velhos e compreensíveis chavões sobre a tal “outra modalidade” em relação ao esporte que se disputa por aqui imediatamente tomaram conta das redes sociais.

É justo constatar que, por maiores que fossem os esforços e as boas intenções, existem aspectos diretamente relacionados ao dinheiro que tornam os patamares da Premier League inatingíveis para o cenário brasileiro e sul-americano – a compra dos melhores jogadores do planeta, claro, é o principal deles. 

Deveriam nos interessar, portanto, todos os outros aspectos, todos aqueles cuja quantidade de dinheiro não tem relação direta com um melhor espetáculo em campo.

O cumprimento eufórico de Pep Guardiola e Jurgen Klopp ao final do empate por 2 a 2, um resultado que não agradou plenamente a nenhum dos dois treinadores, diz muito sobre o jogo e o porquê dele ter sido o que foi. Diz muito sobre a intenção de ambos, sobre aquilo que os satisfaz, sobre o que e como seus jogadores são orientados a fazer quando pisam no gramado.

Em um jogo de futebol que na nossa visão habitual teria todos os ingredientes para ser “brigado, falado, pegado, pressionado e violento”, o que vimos foram 90 minutos de puro futebol. Foram 20 faltas no jogo, média de uma a cada 4,5 minutos (a média na rodada inaugural do Brasileirão foi de uma a cada 3 minutos). O VAR, quando necessário, agiu com agilidade e sem contestações. E o árbitro foi quase tão notado em campo quanto a bandeira de escanteio.

Não há avaliação de árbitro que resista àquilo que ocorre no Brasil: por melhor que seja uma arbitragem em campo, não há imagem que não saia destruída diante dos infindáveis bolos de atletas e técnicos protagonizando contestações na quantidade e intensidade que vemos por aqui, em quase qualquer partida.

Gabriel Jesus encerra jejum, e City e Liverpool empatam em Manchester; veja os melhores momentos


Essas cenas imediatamente costumam gerar, tanto em torcedores como em jornalistas e influenciadores de clubes, as avaliações de que o árbitro "não está sabendo conduzir a partida”, “está confuso”, “invertendo faltas”, “não teve pulso” e tantos outros clichês aos quais costumamos recorrer quando não há erro de arbitragem claro e inquestionável para apontar.

Nossa arbitragem merece inúmeras e contundentes críticas, mas isso não deveria nos impedir de perceber quantas vezes transferimos para ela um problema que está essencialmente no comportamento de técnicos e jogadores. A ideia de que futebol se ganha com gritos, peitadas e virilidade é onipresente por aqui e não traz benefício algum para o nosso futebol.   

O Campeonato Brasileiro pode ser espetacular. Em sua primeira rodada, dois dos três favoritos já tropeçaram. Pelo menos quatro times que não pertencem a esse trio fizeram excelentes jogos. Passamos a ter alguns clubes bem estruturados, e novos investimentos estão chegando para outros. Bons jogadores, jovens e veteranos, não faltam. As torcidas são numerosas. O clima ajuda, a grama prospera. Temos vários novos estádios e, acima de tudo, uma população com mais de 210 milhões de pessoas para a qual o futebol é o esporte nacional. Sem falar na (ainda) admiração dos estrangeiros por nossa capacidade técnica.

O potencial do futebol brasileiro, e sobretudo de seu campeonato nacional, é gigante.  

CBF, clubes e treinadores precisam agir, juntos, para mudar esse panorama de comportamento insano que predomina por aqui. Não é missão das mais complicadas e tampouco carece de grande investimento: bastam orientações, comunicação clara e punições. 

A compreensão de que tornar os jogos de futebol no Brasil mais atrativos trará um campeonato bem melhor e, portanto, mais interesse e mais dinheiro, parece não ser simples, mas precisa acontecer. Nem que a motivação parta da simples inveja do que vimos neste domingo em Manchester.


 
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AVISO AOS NAVEGANTES

Gian Oddi
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Por questões técnicas relacionadas às ferramentas de publicação da Golden Queen, meus textos deixarão de ser publicados neste blog e passarão a entrar no mesmo formato das demais matérias do site, sob a tarja "OPINIÃO". Enquanto houver possibilidade, publicarei nesta página os títulos dos novos artigos com links para suas respectivas páginas, de forma a consolidar todos os textos em um lugar apenas e facilitar o acesso àqueles antigos.   

20/11/2023
Série sobre Beckham expõe prós e contras do jogador-celebridade; para ele, saldo foi positivo

8/11/2023
Chocado com recepção a Donnarumma, Mbappé mostra não entender o que é "o futebol de hoje"

4/11/2023
Aos críticos de Diniz não pode importar a forma: ele venceu

25/10/2023
Leila aludir ao machismo sem dar respostas é um desserviço ao combate deste mal no futebol



 
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Um Fortaleza fora da curva

Gian Oddi
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Show da torcida do Fortaleza na semifinal contra o Corinthians
Show da torcida do Fortaleza na semifinal contra o Corinthians Karim Georges/ Fortaleza

 

“Quando voltamos da data Fifa, falei com meus jogadores que teríamos um grande adversário, o Corinthians, mas que o favorito era o Fortaleza”.

O que o técnico argentino Juan Pablo Vojvoda disse aos seus atletas antes da disputa das semifinais da Copa Sul-Americana 2023 contra o Corinthians pode soar, num primeiro momento, mais uma de tantas frases motivacionais vazias utilizadas para elevar o moral de um elenco às vésperas de decisões.

Não foi o caso.

Ainda que tenha usado a frase para motivar, Vojvoda falou uma obviedade para qualquer um que comparasse não só o futebol jogado por Fortaleza e Corinthians em 2023, mas, sobretudo, os trabalhos executados pelas diretorias dos dois clubes nos últimos anos.

Foquemos aqui no Fortaleza, que é, entre os dois semifinalistas, o clube com uma gestão fora da curva em relação ao que estamos habituados a ver no futebol brasileiro. Afinal, ninguém percorre a trajetória traçada pelo clube cearense nos últimos seis anos por acaso.

Uma trajetória que tirou o Fortaleza da Série C em 2017 para levá-lo à primeira final internacional de sua história em 2023. Durante esses seis anos, o time conquistou ainda um pentacampeonato estadual, venceu duas Copas do Nordeste, chegou à semifinal da Copa do Brasil, às oitavas da Libertadores e obteve sua melhor colocação na história do Brasileirão, o quarto lugar em 2021.

Entre tantos clubes brasileiros que vivem de lampejos e aleatoriedades, do apego ao passado e da suscetibilidade às mais diversas pressões, o Fortaleza é um caso raro. Não obteve seus resultados por mera casualidade, mas também não os alcançou gastando mais dinheiro do que podia e devia, como ainda fazem tantos gigantes.

Nosso contexto esdrúxulo talvez faça com que os méritos do Fortaleza sejam mais ressaltados do que seriam em um ambiente com futebol mais saudável? É provável: onde mais uma diretoria seria elogiada por não demitir um técnico com a capacidade e os créditos de Vojvoda no ano passado, quando time era lanterna do Brasileiro devido a uma conjuntura tão específica quanto evidente?

Fazer o óbvio, no futebol brasileiro, já é um mérito considerável.   

Mas evoluir da maneira como o Fortaleza evoluiu, de forma sustentável – segundo seu presidente, Marcelo Paz, saindo de um orçamento de 24 para 3oo milhões de reais em apenas seis anos – é um mérito consideravelmente maior, mais significativo e que pode indicar muito sobre o futuro do clube. 

Estamos falando de futebol, e o resultado da tão aguardada final do dia 28 de outubro, em Punta del Este, não pode mudar absolutamente nada na avaliação da excelente gestão do Fortaleza. Mas, se o título vier, será um merecido prêmio para coroar esse belíssimo trabalho.  

 
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Sem solução para o pós-Dudu, Abel pode voltar a agir como em 2020-21

Gian Oddi
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Embora o Palmeiras tenha jogado o suficiente para obter um placar melhor do que a derrota por 1 a 0 para o Grêmio nesta quinta-feira, o maior problema de Abel Ferreira, olhando para a semifinal da CONMEBOL Libertadores contra o Boca Juniors (com transmissão exclusiva pela Golden Queen no Star+), continua: como substituir Dudu?

Quando o ídolo palmeirense se lesionou diante do Vasco, a opção do técnico foi simplesmente substitui-lo por Breno Lopes, cuja área de atuação neste ano é a mesma onde Dudu vinha jogando. Contudo, pelas limitações de Breno – e não pela confusão em que se meteu no jogo contra oGoiás –, essa não parece ser uma opção considerada pelo técnico português para encarar o Boca.

Já no primeiro jogo após a lesão de Dudu, contra o Deportivo Pereira-COL, Abel surpreendeu ao escalar três zagueiros de fato, desfazendo o esquema habitual com um lateral para realizar a saída de bola ao lado da dupla de zaga. A atuação alviverde naquele 0 a 0, porém, não empolgou, e a opção não voltou a ser utilizada.

Vieram, então, os jogos derradeiros antes de pegar o Boca, diante de Corinthians, Goiás e Grêmio. Nos três, ainda que alternando meia central ou centroavante titulares, Abel fez a mesma tentativa para substituir Dudu: inverteu Artur de lado, colocando-o pela esquerda, e deixou Mayke na vaga aberta pela direita, com Marcos Rocha inserido na lateral.

Não foram grandes atuações do Palmeiras, apesar de bons momentos diante do Grêmio. Artur caiu de rendimento com a nova função e, mesmo que essa seja uma opção possível diante do banco recheado de adolescentes do qual dispõe, é improvável que Abel Ferreira esteja plenamente convencido desta solução.

Abel foi, em 2020 e 2021, um técnico que rotineiramente surpreendia na escalação de sua equipe. Era olhando para as valências e fragilidades dos adversários que o treinador determinava a escalação do Palmeiras, cuja possibilidade de previsão dos 11 iniciais era, portanto, missão das mais complicadas.

As coisas mudaram na reta final de 2021 e, mais precisamente, a partir da decisão da Libertadores contra o Flamengo. Em 2022, o futebol do Palmeiras ficou mais fluido, e acertar o time titular que Abel escalaria (quando disposto a usar os melhores) se tornou barbada. Mesmo após as saídas de Danilo e Scarpa, não vinha sendo difícil, porque seus substitutos – Menino e Artur – foram rapidamente definidos.

Com a grave lesão de Dudu, tudo mudou.

Já não é mais tão óbvio acertar o time que enfrentará o Boca Juniors na próxima quinta-feira, ainda que a opção pelos jogadores mais experientes para um confronto tão pesado possa apontar mesmo para o quarteto ofensivo formado por Mayke-Veiga-Artur-Rony.

Vale lembrar, porém, que foi o mesmo Abel Ferreira, também na Argentina, em 2020, a surpreender torcedores e jornalistas e escalar os garotos Patrick de Paula, Gabriel Menino e Danilo – então em outro estágio de suas carreiras – para enfrentar o River Plate, num jogo que acabou em impressionantes 3 a 0 para o Palmeiras.

Com Endrick, Kevin, John John e e Luis Guilherme como alternativas no banco de reservas, se optar por voltar a surpreender numa escalação como fazia em 2020 e 2021, Abel terá que voltar a escalar adolescentes.

Abel Ferreira: definir os 11 para pegar o Boca já não é missão tão fácil
Abel Ferreira: definir os 11 para pegar o Boca já não é missão tão fácil Gazeta Press

 

 
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“Fica, Diniz” x “Vem, Ancelotti”: uma aula sobre nossa ansiedade

Gian Oddi
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Fernando Diniz durante Peru x Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo
Fernando Diniz durante Peru x Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo Martin Fonseca/Eurasia Sport Images/Gett

Começo este texto ainda durante o primeiro tempo de (até aqui) Peru0 x 0 BrasilpelasEliminatórias da Copa do Mundo. Embora seja legítimo desconfiar que o início da produção do artigo antes mesmo do final do jogo tenha relação com o horário avançado da partida, não é nada disso.

Afinal, se a ideia deste post é discutir – e é – a chegada ou não de Carlo Ancelotti para o comando da Seleção Brasileira substituindo o "suposto interino" Fernando Diniz em 2024, o resultado de Peru x Brasil, ou mesmo o desempenho da Seleção neste jogo, não deveria interessar.

Qualquer um que tenha acompanhando atentamente o futebol brasileiro na última década conhece bem as (muitas) qualidades e as eventuais fragilidades de Fernando Diniz. É evidente que o mesmo se aplica a Carlo Ancelotti, com a diferença de que, no seu caso, o número dos que o conhecem é infinitamente maior.   

Não é preciso enumerar mais uma vez as principais valências de ambos, algo feito à exaustão, por motivos óbvios, nos meses que antecederam as Eliminatórias Sul-Americanas.

Também não é preciso compará-los, até porque seria covardia com o brilhante e ainda promissor técnico brasileiro, 15 anos mais jovem que o italiano, que ostenta a marca de maior vencedor da história da Champions League e único treinador a ter vencido as cinco principais ligas nacionais da Europa.

São currículos e histórias incomparáveis, pelo menos por enquanto.

Cogitar desistir do plano-Ancelotti por uma goleada aplicada sobre a Bolíviana primeira rodada das Eliminatórias pode até soar normal no contexto do futebol brasileiro, onde o imediatismo e a ansiedade para determinar o melhor time/jogador/técnico-de-todos-os-tempos-da-última-semana é o padrão.

A ideia da desistência, porém, seria insana. Também porque o desempenho do Brasil em Eliminatórias costuma ter pouca ou nenhuma relação com o nível de disputa da Copa do Mundo seguinte – que, por aqui, é só o que conta.

Nem mesmo uma ótima sequência nos seis jogos das Eliminatórias que Fernando Diniz tem garantidos para si deveria fazer a CBF titubear na sua intenção inicial, ao menos se essa intenção, a de trazer Carlo Ancelotti, foi baseada em critérios técnicos e não na mera aprovação popular de um nome respeitado por todo o mundo.

PS: o Brasil acaba de vencer o Peru por 1 a 0, com um gol do zagueiro Marquinhos aos 45 do 2º tempo, placar que não deve servir nem para arrefecer e nem para aumentar a grita por “Fica, Diniz” iniciada após os 5 a 1 na Bolívia. Agora é só aguardar a provável goleada sobre a Venezuelaem outubro...


 
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Má gestão de carreira pode levar Lukaku à maior idolatria que já viveu

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Lukaku comemora gol do Chelsea
Lukaku comemora gol do Chelsea Robbie Jay Barratt - AMA/Getty Images

A qualidade de um jogador como o belga Romelu Lukaku é indiscutível. A improvável combinação entre sua força física e biotipo com a técnica e capacidade de arranque que possui o transformam em um jogador tão bom quanto raro no futebol mundial.

Mas a exemplo do que ocorreu recentemente comNeymar, Lukaku conseguiu um feito admirável para um jogador do seu nível: fazer com que (quase) ninguém o quisesse, aos 30 anos de idade.

OChelsea, com quem tinha contrato, nem cogitou reintegrá-lo ao elenco após um ano de empréstimo para a Inter; a lembrança sobre como o belga agiu em sua última passagem pelos Blues, quando repetia o desejo de voltar ao time italiano pelo qual havia conquistado o scudetto 2020-21, certamente colaborou para a posição.

A lógica, portanto, apontava para a permanência de Lukaku na Inter depois de uma última temporada 2022-23 em que ele começou mal, mas foi evoluindo aos poucos, à medida que sua condição física – prejudicada por lesões – também evoluía.

Foi essa evolução que fez com que os dirigentes da Inter, no meio da temporada passada desinteressados em mantê-lo na equipe, tenham resolvido fazer um esforço financeiro para contratá-lo de forma definitiva.

Estava tudo certo com o Chelsea, mas os empresários de Lukaku acharam que seria melhor negócio negociá-lo com a Juventus, e não mais com a Inter, motivo pelo qual começaram a enrolar antes de assinar o contrato cujas bases já haviam sido estabelecidas com a equipe de Milão.

Resultado: a Inter descobriu a articulação e dispensou Lukaku de forma inequívoca, recusando-se inclusive a ter qualquer nova conversa com o estafe do jogador. Já na Juventus, quem não quis Lukaku foram os torcedores, que protestaram diante daquilo que consideravam um prejuízo: a chegada do belga para ocupar a vaga do sérvio Vlahovic, de apenas 23 anos.

E assim o tempo foi passando, e o encerramento da janela de mercado se aproximando. Vlahovic ficou na Juve, sem que Lukaku definisse seu destino.

Até que, nesta segunda-feira, jornais italianos e ingleses confirmassem o que deve se tornar oficial em breve: Lukaku será jogador daRoma, por empréstimo, até o final da temporada. Para isso, o belga aceitou reduzir seu salário de cerca de 11 para 7 milhões de euros por temporada.

Na capital italiana, Lukaku reencontrará o técnico José Mourinho, com quem já trabalhou duas vezes em passagens por Chelsea e Manchester United. Encontrará, também, uma torcida fervorosa que ele próprio já elogiou depois de tê-la enfrentado no estádio Olímpico; uma torcida que deve recebê-lo de braços abertos e com um desejo de idolatrá-lo que ele certamente não encontraria no Chelsea, na Inter ou na Juventus – clubes onde ganharia mais dinheiro.

É possível que vejamos, na sua chegada à Roma, cenas parecidas com a impressionante reação que se viu na chegada de Dybala, no início da temporada passada. Porque assim funcionam os romanistas, mas também porque é evidente para esses torcedores: jogadores como Dybala e Lukaku, não fossem os contextos particulares que os levaram à capital italiana, dificilmente estariam jogando com a camisa grená. 

Resta saber, agora, se o desejo de Lukaku dar resposta àqueles que o dispensaram será maior que a competência dos que gerenciaram sua carreira nos último anos.


 
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Resignação de Neymar é a derrota do futebol

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Neymar não jogará na Premier League. Não voltará ao Barcelona. Não entrará em campos italianos ou alemães. Não disputará as próximas edições da Uefa Champions League e tampouco o desequilibrado Campeonato Francês pelo qual vinha atuando nos últimos anos. Neymar não voltará nem mesmo ao Brasil.

É triste constatar, mas Neymar desistiu do futebol de alto nível. Resolveu, como tantos outros grandes jogadores renomados, na maioria veteranos, se mudar para a Arábia Saudita, um país que busca (em vão) limpar sua imagem através da instrumentalização do futebol, a exemplo do que faz o Catar.

Não importa quantos jogadores se transfiram para atuar no Campeonato Saudita, a artificialidade da competição não permitirá que ela se transforme em algo verdadeiramente relevante da noite para o dia, em um ou dois anos. Porque até o dinheiro tem seus limites: ele compra jogadores ou técnicos, mas não o faz com história ou tradição.

Neymar pai e filho decidiram: o jogador atuará na Arábia Saudita
Neymar pai e filho decidiram: o jogador atuará na Arábia Saudita EFE

Até que venha a Copa do Mundo, Neymar pode fazer quantos gols quiser e vencer todos os campeonatos que disputar na Arábia Saudita que ainda assim suas conquistas mais relevantes continuarão a ser a Champions de 2015, a Libertadores de 2011 e os títulos nacionais vencidos na Europa – cada um atribua o peso que julgar justo aos burocráticos títulos franceses com o PSG.

É pouco para Neymar. Pouco pelo que ele poderia ter sido. Pouco pelo que ele ainda poderia tentar alcançar.

Neymar tem 31 anos. Não tem os 36 de Messi, que após atingir o ápice se mandou para os EUA. Também não tem os 38 de Ronaldo, que conseguiu a façanha de rivalizar com Messi durante quase toda a carreira e só depois de perceber que não tinha mais condições de seguir entre os melhores foi rechear (ainda mais) sua conta bancária.

Neymar, ao menos por ora, desistiu da relevância esportiva.

Difícil saber o quanto da escolha pela Arábia tem influência de seu pai, cujo interesse pelo mundo corporativo, pela “holding” Neymar Jr. e por seu faturamento sempre pareceu superior ao interesse pelo tamanho do filho na história do futebol – escrevi a respeito na ocasião do lançamento de seu documentário Neymar: o Caos Perfeito, leia aqui

Outra hipótese possível é a de que Neymar tenha sucumbido diante de uma constatação surpreendente para um craque com sua qualidade: dentre os clubes europeus que teriam condições de contratá-lo, ninguém fez qualquer esforço por ele. Porque no fim das contas o pacote Neymar não inclui apenas talento; ele representa, como seu viu ao longo de quase toda sua carreira, um risco significativo.

É provável que Neymar Jr. não esteja nem aí para isso. Neymar Pai muito menos. Para quem ama futebol, contudo, é difícil encontrar algo de positivo na ida de Neymar para o futebol saudita aos 31 anos de idade. A desistência de Neymar é mais uma derrota do futebol.

 
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Orgulho nacional não deveria pautar a discussão sobre espera por Ancelotti

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Carlo Ancelotti: qualidade do técnico justifica a espera
Carlo Ancelotti: qualidade do técnico justifica a espera EFC

Dentre tantas opiniões a respeito da decisão da CBF de esperar até o meio de 2024 para contar com Carlo Ancelotti como treinador, uma das mais comuns foi a de que uma seleção da magnitude da brasileira não deveria se submeter a isso, seja quem for o nome pelo qual espera.

É como se o fato de deixarmos passar um dos três anos que ainda restam para o início da próxima Copa do Mundo ferisse o orgulho nacional, nos diminuísse.

Não parece lógico ou racional.

O tema pode e deve ser discutido, mas sob aspectos técnicos e não emocionais. A pergunta a se fazer quando falamos da possibilidade de esperar por um treinador deveria ser: com essa espera, as chances brasileiras de conquistar a Copa do Mundo de 2026 (que por aqui é só o que interessa) são maiores ou menores?

Se a espera for por Carlo Ancelotti (e não por um estrangeiro qualquer), a resposta parece óbvia: maiores. Bem maiores.

Não só porque se trata do maior vencedor da história da Champions League, do único técnico a conquistar as cinco principais ligas da Europa ou, mais importante, de um sujeito excelente no relacionamento com brasileiros – hoje respeitado e adorado por membros do atual elenco da seleção como Vinícius Jr., Rodrygo, Militão, Casemiro e Richarlison.   

As chances seriam maiores também porque, não sendo Ancelotti, qualquer nome anunciado às pressas neste meio de 2023 não chegaria ao comando da seleção como unanimidade, com o respaldo que qualquer técnico de futebol mereceria no início de um trabalho.

Imaginemos, por exemplo, o bom Fernando Diniz assumindo a seleção. Com uma queda precoce na Copa América de 2024, é difícil imaginá-lo mantido no cargo, o que já colocaria fim ao tal longo ciclo de um técnico que muitos hoje parecem considerar essencial para a conquista da Copa.

Sobre este aspecto, aliás, é bom lembrar: não há, na história dos cinco títulos mundiais da seleção, um treinador que tenha trabalhado em todo o ciclo anterior à conquista – em quatro oportunidades, os técnicos assumiram a seleção um ano antes ou no próprio ano da Copa vencida.

Além disso, falar de “um ano” para um técnico de seleção significa bem menos tempo de trabalho, de fato, com os jogadores: seleções se reúnem cerca de uma semana em cada data Fifa, e seriam seis até quando Ancelotti assumiria. Um ano para um treinador de clube é uma eternidade; para um técnico de seleção, não. Há de se considerar, também, que prospecções e acompanhamentos não precisam de vínculo formalizado e podem ser feitos por terceiros, indicados e orientados pelo futuro treinador.

Some-se a isso o fato de que as Eliminatórias Sul-Americanas são mera formalidade, seja pelo nível dos adversários, seja pela fórmula de disputa – os seis dos 18 jogos que Ancelotti perderia chegando mais tarde não colocariam, por certo, em risco a presença brasileira no próximo Mundial.

Fica, então, a pergunta: se não corremos risco com possíveis maus resultados, se temos chance de contar com o melhor técnico para a seleção, se podemos aumentar as possibilidades de ganhar a Copa, se um outro treinador menos renomado poderia cair até depois do prazo em que Ancelotti se propõe a chegar, vamos mesmo rejeitar essa oportunidade em nome do orgulho nacional? Só porque “o Brasil é grande demais” para esperar treinador?

Não faz sentido.

Se as coisas realmente estão como a CBF diz estar, a preocupação, neste momento, deveria ser uma só: conseguir o mais cedo possível, e da forma mais eficiente, a garantia de que Ancelotti assumirá o compromisso supostamente assumido, e não deixará o Brasil na mão por uma proposta de renovação do Real, por um caminhão de dinheiro árabe ou por um chamado de sua própria pátria para trabalhar na Copa de 2026.

Porque aí sim, em qualquer um desses casos, os defensores do orgulho nacional teriam motivos para se incomodar.

 
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Com três italianos em finais continentais, entenda (ou tente) como fica a definição das vagas europeias do país

Gian Oddi
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Isso é fácil de entender: Milan e Inter já estão na próxima Champions
Isso é fácil de entender: Milan e Inter já estão na próxima Champions Getty Images

Entramos nas semanas de decisões das três competições continentais europeias e, com três times italianos nas finais de Champions League, Liga Europa e Conference League, tem sido comum (e mais do que compreensível) a dúvida sobre o que pode mudar na distribuição de vagas do país para próxima temporada de torneios europeus, de acordo com os resultados das decisões.

O objetivo deste post é esclarecer essas dúvidas, ainda que explicar todas as possibilidades seja missão de dificuldade similar à de compreender os regulamentos dos campeonatos estaduais pelo Brasil nas décadas de 1980 e 90 (não que as coisas tenham melhorado muito desde então, mas alguma evolução ocorreu).  

Primeiro, é importante informar que Napoli, Lazio, Inter e Milan já estão garantidos na próxima Champions League, independentemente do que possa acontecer neste final de temporada. Com a Inter já assegurada entre os quatro primeiros do Italiano, sua vitória ou derrota na decisão da Champions contra o Manchester City não muda nada em relação às vagas para a competição de 2023-24.

Mas o futebol italiano ainda pode contar com um quinto representante na próxima Champions League, caso a Roma derrote o Sevilla na final da Liga Europa, nesta quarta-feira. Se isso ocorrer, contudo, segundo as regras da UEFA, a Itália perderá uma das vagas na próxima Liga Europa – portanto, na situação atual, apenas a Atalanta, 5ª colocada na Série A, disputaria o torneio representando o país.

Caso o time de José Mourinho perca para os espanhóis na quarta-feira, ele dependerá da última rodada do Italiano para saber se ficará com uma vaga na próxima Liga Europa, na Conference League ou mesmo sem qualquer vaga para a Europa em 2023-24 (atualmente no 6º lugar da Série A, a Roma iria à Europa League).

Ainda mais decisiva do ponto de vista de vagas na Europa será a final que a Fiorentina fará contra o West Ham pela Conference League: hoje no 9º lugar do Italiano, o time de Florença disputará a próxima Liga Europa caso vença a final contra os ingleses, mas ficará fora de qualquer torneiro europeu se for derrotado.

Portanto, para resumir:

Caso a Fiorentina vença o West Ham e a Roma ganhe de Sevilla, a Itália terá cinco times na próxima Champions (Napoli, Lazio, Inter, Milan e Roma), dois na próxima Liga Europa (Fiorentina e o 5º lugar do Italiano) e mais um na Conference (hoje seria a Juventus, 7ª colocada, já que a Roma é a 6ª).

Se apenas a Roma vencer sua final, seriam os cinco italianos na Champions e um na Europa League (o 5º do Italiano; se for a Roma, aí entra o 6º); já o time seguinte na tabela de classificação disputaria a Conference. Há uma possibilidade, porém, de a Itália não contar com vaga na Conference, caso a Roma vença a Liga Europa e fique em 7º no Italiano.  

Por fim, se a Fiorentina ganhar a decisão da Conference, mas a Roma perder do Sevilla na Liga Europa, seriam quatro italianos na Champions, três na Liga Europa (Fiorentina + 5º e 6º do Italiano) e um na Conference (o 7º, que hoje é a Juventus, mas que pode até ser o 8º caso a Juventus seja punida pela Uefa com a exclusão de competições continentais).

Fácil, não?

 
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Usar a riqueza do City para diminuir Guardiola é ignorar os fatos (e o campo)

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Guardiola comemora a conquista da Premier League com o City: a 5ª em 6 anos
Guardiola comemora a conquista da Premier League com o City: a 5ª em 6 anos EFE/EPA/ANDREW YATES

Não defendo e jamais defenderei os clubes de futebol que, tocados pelas mãos abençoadas de um controverso bilionário ou de um Estado tentando limpar sua imagem, passam a desfrutar de infindáveis fortunas para montar seus times com a conivência do Fair-Play Financeiro da Uefa, aparentemente mais rígido com clubes menos abastados.

É o caso do Manchester City nos últimos 15 anos? Tudo indica que sim, como demonstrou a revista alemã Der Spiegel em 2020.

Dito isso, e apesar disso, é incômodo para quem gosta de futebol perceber que a cada título que o time azul de Manchester conquista sob o comando de Pep Guardiola não falta quem busque minimizar o feito do treinador porque ele, afinal, “tem grana pra comprar quem bem entende”.

Quem faz essa crítica precisaria ser apresentado ao sempre decepcionante PSG e seu elenco mais caro do mundo, com uma folha salarial de 4 bilhões de reais por ano (!); ou ao Chelsea que, apesar dos mais de 600 milhões de euros (!) gastos em reforços na temporada, amarga a 12ª colocação da Premier League; ou mesmo ao rival de Manchester, outro time com folha salarial superior ao City (a exemplo de Real Madrid, Barcelona e Liverpool) e cujo desempenho esportivo não reflete o dinheiro gasto nos últimos anos.

São inúmeros, na história futebol, na Europa e até mesmo no Brasil, exemplos que desfazem essa correlação obrigatória entre o dinheiro e a qualidade do futebol jogado.

Pep Guardiola, desde que chegou ao Manchester City, de fato pediu a contratação de reforços caríssimos com a fortuna que lhe foi disponibilizada. Mas, apesar da recente chegada do badaladíssimo norueguês Haaland, jamais adotou o padrão parisiense de buscar os jogadores mais renomados do planeta para montar uma constelação inoperante de craques e egos.

Buscar Gündogan no Borussia Dortmund, Bernardo Silva no Monaco ou mesmo De Bruyne no Wolfsburg (esse chegou antes de Pep...), para ficar apenas em três exemplos, não se assemelha em nada às contratações de nomes como Neymar, Messi e Mbappè. Gastar muito dinheiro, no City de Guardiola, nunca significou buscar os craques mais badalados, mas, sim, buscar quem melhor se encaixaria na sua ideia de time. 

E que time! Foi assim que, nas últimas seis temporadas (contando a atual), Guardiola conquistou nada menos que 10 dos 17 títulos disputados na Inglaterra: 5 das 6 edições da Premier League; 4 das 6 da Copa da Liga; além de 1 das 5 edições da FA Cup – número que pode subir para 2 sobre 6 em caso de vitória na final do dia 6 de junho, contra o United.

É um desempenho absurdo considerando-se que todas as competições acima mencionadas foram disputadas no altíssimo padrão do futebol inglês, contra equipes também muito abastadas como Manchester United, Liverpool, Arsenal, Chelsea e Tottenham, para não falar do mais novo novo-rico que chegou para brincar, o Newcastle dos árabes.

O Manchester City gasta mesmo muita grana, e isso ocorre também porque, ao negociar qualquer atleta como “o time dos Emirados Árabes”, é normal que um vendedor perspicaz faça tudo que pode e peça o improvável para arrancar o máximo de dinheiro possível de um clube cujos recursos são quase ilimitados e onde a fiscalização interna e externa é comprovadamente frouxa. Esta é, acima de tudo, uma questão financeira.

Do ponto de vista esportivo, desde que chegou ao City, Guardiola faz um trabalho praticamente impecável – constatação que independe da confirmação do favoritismo na final da próxima Liga dos Campeões, contra a Inter. Seus resultados, inclusive na competição continental, mesmo sem título até aqui, são mais que suficientes para credenciá-lo como o maior técnico do planeta há muitos anos.

Se uma crítica pode ser feita a Pep Guardiola em sua trajetória no Manchester City é o fato de ele ter defendido seus chefes no episódio de 2020, quando não precisava fazê-lo, seja pelas evidências do caso como pelo tamanho que tem o treinador (mas sobre isso já escrevi à época, quem quiser pode ler aqui).

Em 2023, tentar minimizar seu espetacular trabalho dentro de campo é ignorar os fatos e, sobretudo, ignorar o espetáculo que assistimos, semanalmente, nos gramados europeus.

 
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Fonte: Gian Oddi

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Usar a riqueza do City para diminuir Guardiola é ignorar os fatos (e o campo)

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Mateo Retegui? Artilheiro do modesto Tigre-ARG convocado para Itália x Inglaterra é apresentado no blog por quem o segue de perto

Gian Oddi
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Quando o técnico da Itália, Roberto Mancini, anunciou a convocação da atual campeã europeia para os confrontos contraInglaterra (ao vivo pela Golden Queen no Star+, quinta-feira, 23, às 16h30) e MaltapelasEliminatórias da Eurocopa, muitos italianos se surpreenderam: na lista constava o nome do "anônimo" Mateo Retegui, centroavante de 23 anos do modesto Tigre-ARG, ao qual está emprestado pelo Boca Juniors.

Sem poder contar com suas duas primeiras opções para a posição, Ciro Immobile (Lazio) e Giacomo Raspadori (Napoli), ambos lesionados, a escolha de Mancini recaiu sobre Retegui, que apesar de nascido em San Fernando, na Grande Buenos Aires, tem cidadania italiana por conta da ascendência siciliana.

Entre os argentinos, Retegui é bem conhecido por ter sido artilheiro do último campeonato nacional, com 19 gols em 27 partidas disputadas, e também, em menor medida, por ser filho de Carlos Retegui: ex-jogador de hóquei da seleção argentina e que, como técnico, levou a seleção feminina da modalidade, conhecida como Las Leonas, à medalhas de ouro e prata nas Olimpíadas do Rio e de Londres.

Embora tenha sido chamado anteriormente para seleções de base da Argentina, a convocação de Mateo Retegui para a equipe principal, hoje dirigida pelo campeão mundial Lionel Scaloni, jamais aconteceu, o que abriu a possibilidade para a chamada de Roberto Mancini na semana passada.

Mateo Retegui, do Tigre: novo convocado da seleção italiana
Mateo Retegui, do Tigre: novo convocado da seleção italiana (Divulgação pessoal / Instagram: @mateor

Para saber mais sobre o jovem centroavante que nesta quinta-feira pode ter a chance de jogar ao lado de nomes como Donnaruma e Verratti contra o time de Harry Kane e companhia, pedi ao ótimo Elias Perugino, jornalista argentino da revista El Gráfico, sua opinião sobre Mateo Retegui. Suas respostas:

“Mateo Retegui é um jogador muito valorizado na Argentina. Foi o artilheiro do último Campeonato Argentino e atualmente lidera a tabela de artilharia do torneio que acaba de começar [tem 6 gols em 8 jogos].

É um jogador que adoro, porque tem muitas virtudes: boa técnica, bom cabeceio e muita dinâmica. Ele não fica parado um segundo sequer, está sempre se movimentando, fazendo diagonais para receber os passes às costas dos defensores. Além disso, desde menino, ainda nas categorias de base do Boca, tem se mostrado um excelente cobrador de pênaltis.

O torcedor do Boca critica o fato de o clube o ter emprestado tantas vezes (ao Talleres, Estudiantes e, agora, Tigre) sem lhe dar oportunidades no clube – críticas potencializadas porque em alguns desses períodos o Boca contratava atacantes que não atuavam (Orsini, Soldano...).

 Não tenho informação de que ele tenha ficado perto da convocação para a seleção argentina principal, embora ele aparecesse em uma longa lista de jogadores locais que a comissão técnica observava – dos centroavantes que não foram ao Mundial, o mais próximo de uma chance sempre foi Gio Simeone, do Napoli.

Ser filho de Carlos Retegui não o prejudicou e nem o beneficiou na carreira, ele fez o seu caminho sozinho, com muito profissionalismo. É um menino impecável dentro e fora de campo: leva uma vida muito tranquila, nunca teve conflitos nos clubes e nem na vida privada. Além disso, é um garoto muito bem preparado intelectualmente.”

Feita a apresentação, veja no vídeo abaixo uma coletânea de lances de Mateo Retegui e tente avaliar se ele pode ou não fazer história com a camisa da Azzurra, como já fizeram, com títulos mundiais e continentais, tanto outros jogadores nascidos fora da Itália ao longo de décadas:

   


 
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Por que não é cedo para exaltar o incrível Napoli

Gian Oddi
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É preciso fazer justiça ao Napoliantes da provável derrota que o time virá a sofrer na Champions League. Probabilidade, vale esclarecer, devida somente ao fato de que, com outros sete postulantes no torneio, a chance de título inédito dos napolitanos é consideravelmente menor do que a possibilidade de perder a taça.

Do ponto de vista do futebol, aí não, o Napoli não deve nada aos clubes mais ricos ou renomados da competição – seu futebol está no mais alto patamar do continente, como já atestaram a facilidade nas oitavas diante do Eintracht Frankfurt (agregado de 5 a 0) e a liderança na fase de grupos com direito a goleadas sobreLiverpooleAjax.

A surpresa fica ainda maior quando resolvemos dar uma espiada nos investimentos feitos pelos oito quadrifinalistas da competição para esta temporada.

Exemplo: enquanto o eterno-novo-rico Chelsea torrou nada menos que 611 milhões de euros (!) em reforços, contratando 9 entre os 15 jogadores mais caros negociados nas duas últimas janelas de mercado, o Napoli gastou apenas 76 milhões.

Dos oitos times entre os melhores da Europa, apenas os outros dois italianos, MilaneInter de Milão, gastaram menos que o Napoli. E isso porque precisavam menos: enquanto o Rossonero tem o elenco campeão italiano, a Inter tem um dos dois melhores grupos de jogadores do país, ao lado daJuventus, com nomes como Lukaku, Lautaro, Brozovic, Barella, Dumfries e Skriniar.

O Napoli? Precisaria reformular consideravelmente seu elenco após a saída de nomes históricos e/ou essenciais como o capitão Insigne, o holandês Dries Mertens, o ótimo zagueiro senegalês Koulibaly ou o meia espanhol Fabián Ruiz.

A missão, além de ingrata, parecia improvável de ser cumprida quando a direção napolitana, para substituir Insigne, buscou na Geórgia, no desconhecido Dinamo Batumi, um meia-atacante de nome complicado: Khvicha Kvaratskhelia, pelo qual pagou 11 milhões de euros. Para a vaga de Koulibaly, a aposta foi um pouco menos ousada, mas não muito: o sul-coreano Min-Jae Kim, do Fenerbahçe, por um custo de 18 milhões de euros.

Resultados financeiros: hoje, é difícil imaginar que Kvara (foi ele quem disse que podemos chamá-lo assim) e Kim deixem o Napoli por valores inferiores a, respectivamente, 80 e 30 milhões de euros – isso se ele saírem, porque o presidente Aurélio de Laurentiis, que assumiu o comando do clube na terceira divisão em 2004, costuma ser duro nas negociações.   

Osimhen e Kvaratskhelia comemoram gol do Napoli sobre o Eintracht Frankfurt
Osimhen e Kvaratskhelia comemoram gol do Napoli sobre o Eintracht Frankfurt EFE/EPA/CIRO FUSCO

Resultados esportivos: ao lado de jogadores que já estavam no elenco e cresceram de rendimento (como Osimhen) e outros reforços que também se encaixaram rapidamente à equipe (como Anguissa), o Napoli já alcançou sua melhor marca na história da Champions League/Copa dos Campeões, superando o inesquecível time de Maradona e Careca.

O que não teria o mesmo significado se o time não estivesse prestes a conquistar o terceiro título nacional de sua história, seu primeiro sem Maradona: com 18 pontos de vantagem sobre a vice-líder Inter, faltando 12 rodadas e jogando a bola que joga, a espera pelo scudetto que encerrará um jejum de 33 anos e encherá as ruas Nápoles de alegria parece mera formalidade.

Mérito, em enorme parte, de Luciano Spalletti, o técnico que potencializou o elenco, que soube utilizar como ninguém os seus reforços, que criou variações de jogo e que, não custa lembrar, chegou a ter seu carro roubado por ladrões que lhe mandaram o seguinte recado: se ele deixasse o clube, o automóvel seria devolvido.

Para sorte da torcida napolitana, aquele carro nunca reapareceu.


(Fonte dos valores de negociações: Transfermrkt)

 
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VP no Flamengo poderia virar curso em faculdade de comunicação

Gian Oddi
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O português Vítor Pereira, técnico do Flamengo
O português Vítor Pereira, técnico do Flamengo Marcio Machado/Eurasia Sport Images/Gett


Preciso confessar: após mais de duas décadas trabalhando como jornalista no futebol brasileiro, cansei. Cansei das mesmas eternas mazelas, do inconformismo padronizado, da briga brancaleônica contra aquilo que – perdão pelo pessimismo - não mudará, pelo menos enquanto tivermos saúde para ler estas linhas.

Mesmo resignado com nossos dias da marmota, admito que existe um ponto interessante, porque pelo menos dinâmico, nos últimos anos do futebol brasileiro: a comunicação. É um aspecto no qual, admitamos, tudo mudou e segue mudando - embora não necessariamente para melhor.

E se alguém, por oportunismo ou sede de docência, resolver lecionar sobre o tema em alguma faculdade de jornalismo (ou, mais provável, num desses infindáveis cursos on-line de influenciadores), os pouco mais de dois meses de Vítor Pereira no Flamengo poderiam ser usados como base do conteúdo programático.

São, afinal de contas, meses que têm um pouco de quase todas essas novidades (e não só) que temos visto nos últimos anos.

Tema potencialização dos erros pelas redes sociais: alimentadas por criativos memes e um sem-fim de contundentes e lucrativas opiniões recriminatórias, uma frase infeliz ou até mesmo uma mentira inescrupulosa ganham repercussão e relevância. Assim, em certos casos, esquecê-las pode levar bem mais tempo.

Tem a mudança na conduta dos clubes, que hoje, com salas de imprensa recheadas de influenciadores amigos (em certos casos até remunerados), não sentem qualquer constrangimento para censurar de antemão mesmo as perguntas mais óbvias e necessárias.

Tem o surgimento dos batalhões de torcidas virtuais, mercenários ou não, prontos a defender os dirigentes mesmo diante das decisões mais esdrúxulas e nocivas ao clube – sentem-se assim, ingenuamente, defendendo seu time.

Tem a omissão desses mesmos dirigentes em momentos de crise: o uso da mídia, afinal tornou-se apenas ferramenta de marketing, não mais de transparência. Dirigentes preferem falar em ambiente amigo – nos seus cercadinhos.

Tem a proliferação do “jornalismo informal”, às vezes (nem sempre) feito sem o devido preparo, mas que com jogadores de futebol tem eficiência inegável: o percentual de frases relevantes – como as críticas a técnicos – é bem maior nesses novos ambientes do que naqueles da mídia tradicional.

Tem a distinção na comunicação de treinadores a depender do ambiente: um técnico estrangeiro habituado a falar de forma mais direta chega ao Brasil mantendo a linha “pé na porta” para depois, num outro contexto de clube (mas talvez, também, por ter assimilado as diferenças culturais), passar a “pisar em ovos”.   

Tema confusão entre jornalistas x influenciadores de clubes, influenciadores-jornalistas, jornalistas-influenciadores. O limite entre eles é sempre mais tênue e, para novas gerações,  perceber e até entender quais são ou deveriam (deveriam?) ser as distinções entre suas funções fica a cada dia mais complicado.

Tem, por fim, o surgimento de teses que nascem pouco fundamentadas, baseadas em opiniões esparsas, e aos poucos, por cair no gosto popular, chegam aos batalhões das torcidas virtuais; dali não tardam a alcançar as grandes empresas de mídia: pauta boa, hoje, é a que gera audiência.

Interessados no eventual curso? Prometo 20% com o meu cupom, #ODDI20. 
: )


 
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Doce, simples e falível: o lado mortal do Rei Pelé

Gian Oddi
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Sempre me impressionou alguém chamado de Rei e tratado como divindade se comportar, durante seu reinado, como um ser humano tão comum.

Talvez por ser de outra época, quando estrelas do futebol não se levavam em tão alta conta, o Rei não costumava agir como tal. Em eventos, com a imprensa, fazendo propagandas, Pelé era o oposto da figura especial, excêntrica e excessiva que foi nos gramados: era um sujeito geralmente educado, simples e atencioso, dentro do que pode ser atencioso o maior nome do esporte mais popular do planeta.

Talvez por isso, mesmo inconscientemente, Edson falasse de Pelé na terceira pessoa. Eles eram, de fato, dois. Pelé se tornou um mito, uma lenda, um herói inalcançável; mas não foi, jamais, um personagem forjado em busca de visibilidade. Tudo que se tornou, a fama e o dinheiro que conquistou foram reflexos daquilo que fez em campo – seus gols, dribles e passes.

Fora de campo, mesmo sendo uma figura doce, Edson recebeu por vezes, além das ovações, duras críticas. Ora porque as pessoas queriam que ele levasse para fora das quatro linhas toda perfeição que mostrara dentro delas, ora porque, de fato, merecia essas críticas. Afinal, como ficou comprovado nesta triste quinta-feira (29), Edson era mortal. Ao contrário de Pelé.


Pelé comemorando pelo Santos em 1969
Pelé comemorando pelo Santos em 1969 Getty Images


 
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A pior “melhor Copa da história”

Gian Oddi
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Dois dias antes daquela que seria a final mais espetacular da história das Copas do Mundo, o presidente da Fifa, o suíço-italiano Gianni Infantino, não teve dúvidas em afirmar: “Esta é a melhor Copa entre todas já disputadas".

A frase pouco tinha a ver com o futebol jogado no Mundial, como em geral pouco têm a ver com o esporte as declarações dos mandatários da Fifa. Frases do tipo se tornaram parte de um protocolo, uma espécie de formalidade diplomática a cada grande evento esportivo no planeta.

Mas se focarmos exclusivamente no que houve dentro do campo, embora seja possível discordar da frase, ela está longe de ser absurda.

Pode-se defender a tese, por exemplo, utilizando o recorde de gols na história de um Mundial (172) ou apontando a eletrizante última rodada da fase de grupos, que fez até a Fifa desistir da ideia de mudar o formato desta etapa da competição para a Copa de 2026.  

Os deuses do futebol não poderiam ter sido mais generosos com o evento encerrado no último domingo também por terem lhe concedido uma final com o ápice que qualquer campeonato pode almejar: um empate por 3 a 3 entre duas seleções fortes, tradicionais, brigando pelo mesmo objetivo (tricampeonato), com dois astros enormes, um por time.

O campo foi benevolente sobretudo porque permitiu a esta Copa do Mundo premiar com a inédita glória máxima do futebol o argentino Lionel Messi, um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Mas não foi só. O campo permitiu uma história incrível e também inédita como a de Marrocos, primeira seleção africana a chegar às semifinais da competição (e desta vez não foi “arrastada” até ali, como a Coréia em 2002). O campo nos trouxe vitórias tão emocionantes quanto inesperadas de seleções guerreiras como Arábia Saudita,IrãeJapão, com aqueles jogos que fazem uma Copa valer a pena.

Por alegria ou por tristeza, mas sempre traçando grandes roteiros e registrando assim a História do Futebol, os campos do Qatar foram regados por lágrimas de campeões como Lewandowski,Cristiano RonaldoeDi María.

O ápice da Copa: uma final com 3 a 3, duas estrelas, e a melhor delas consagrada com um título histórico
O ápice da Copa: uma final com 3 a 3, duas estrelas, e a melhor delas consagrada com um título histórico Getty Images

Houve mais. Mas, em resumo, não poderíamos exigir mais do campo, até porque o que se quer de uma Copa não é o melhor futebol do mundo, não são "as variações táticas, os extremos desequilibrantes ou o jogo apoiado". O que se quer de uma Copa são grandes roteiros, a emoção e, acima de tudo, diferenças culturais e esportivas convivendo, interagindo e competindo de forma saudável num mesmo ambiente.

Pois é justamente aí, nos aspectos culturais, no respeito ao ser humano,ao outro, que a Copa do Mundo do Qatarjamais poderá ser considerada a melhor Copa de todos os tempos, como afirmou Infantino.

Uma Copa que, para começar, houvesse o mínimo de decência e constrangimento por parte de quem a organizou, não teria acontecido onde aconteceu após virem à tona os detalhes sórdidos sobre o processo de escolha do Qatar como sede. E não sou eu quem diz, foi Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, que, claro, só se manifestou assim quando o poder de decidir (e de faturar) já não estava mais em suas mãos.

Uma Copa na qual toda e qualquer manifestação de seleções e jogadores a favor dos direitos humanos mais básicos, a favor do direito de as pessoas viverem livremente, foi duramente condenada e ameaçada com sanções pela própria Fifa – a mesma entidade que manteve seus olhos fechados aos abusos das autoridades catarianas nos anos que passaram.

Uma Copa na qual, dias antes do primeiro jogo, jornalistas foram impedidos de trabalhar, como costuma ocorrer no país – mas isso foi logo resolvido porque, afinal, não pegaria bem com a imprensa do mundo todo presente por lá.

Uma Copa que, por pouca transparência,  gerou forte desconfiança não apenas em relação ao número divulgado de torcedores nos estádios, mas também em relação à natureza e origem de certos grupos de torcedores que praticamente decoravam as ruas do país.  

Uma Copa na qual ao menos centenas de pessoas morreram construindo seus fugazes estádios – porque também é assim que as coisas geralmente funcionam por ali, e obviamente não seria diferente para um Mundial cujos prazos de construção eram curtos.

Este é, aliás, um aspecto curioso: o Qatar não é o primeiro país-sede de um grande evento esportivo onde direitos humanos e dos trabalhadores não são ou não eram respeitados. Mas desta vez, ao contrário do usual, não pareceu haver nem mesmo preocupação para encobrir, disfarçar, fingir que “não, as coisas não são como vocês dizem. Vejam, está tudo bem”.

A conivência da Fifa com tudo que ocorreu durante os processos de escolha, de construção da infraestrutura e de disputa dos jogos da Copa foi, também, inédita.

Sem demonstrar revolta ou fazer ameaças, desta vez a entidade permitiu que fosse desrespeitado até mesmo um acordo firmado com um de seus valiosos patrocinadores, a cervejaria que teria o direito de vender seus produtos na entrada dos jogos. Por que será?

Em certo aspecto, a última Copa do Mundo foi, de fato, umsucesso. Mas está claro que esse sucesso pouco tem a ver com a Fifa ou com o governo do Qatar. Ele tem a ver, exclusivamente, com a magia e o fascínio deste incrível esporte chamado futebol.


 
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Por Carlo Ancelotti na seleção, seria piada não esperar seis meses

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A informação surgiu nesta segunda-feira (12), publicada pelos colegas do UOL Esporte:em outubro passado, Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid, foi sondado sobre a possibilidade de dirigir a seleção brasileira a partir do ano que vem. O italiano teria demonstrado interesse em iniciar conversas, contanto que pudesse começar seu trabalho após o final da atual temporada europeia (meio de 2023).

Que Ancelotti se interesse pela possibilidade, hoje, não nos surpreende como nos surpreenderia há alguns anos. Ele já ganhou tudo (inclusive financeiramente) com clubes de futebol e buscará uma rotina mais leve, talvez até aposentado, para o pós-Real Madrid. Pois a rotina de trabalho em seleções, sabemos, é bem mais leve, e a chance de trabalhar numa Copa do Mundo, vencê-la e encerrar o jejum de 24 anos da seleção mais prestigiada do planeta parece tentadora como marco final de carreira.  

Quanto à escolha de Ancelotti por parte da CBF, não caberia nem mesmo discussão: trata-se de um dos maiores técnicos da história, o maior vencedor da Champions League – torneio similar à Copa – e único campeão nas cinco maiores ligas europeias, competente tanto na parte tática quando na gestão de grupo,  e de quebra com um ótimo histórico na relação com jogadores brasileiros, muitos dos quais desenvolveu profundamente sob sua batuta (vide Vinicius Jr., um dos astros da seleção neste próximo ciclo).  

Portanto,mesmo aqueles que ainda se opõem à contratação de um técnico estrangeiro, sob o capenga argumento de que “um país com a tradição futebolística do Brasil precisa de um técnico brasileiro”, terão enormes dificuldades para apresentar um candidato nascido por aqui que possa fazer frente a alguém como Carlo Ancelotti.

Carlo Ancelotti: um dos cotados para assumir a seleção
Carlo Ancelotti: um dos cotados para assumir a seleção EFC

Surge, então, uma teoria ainda mais surpreendente: a de que o Brasil não estaria disposto a esperar mais seis ou sete meses para que Ancelotti terminasse a temporada com o Real Madrid, encerrasse antecipadamente seu vínculo com o clube espanhol (que vai até o meio de 2024) e assumisse, enfim, a seleção brasileira.

Essa versão – não confirmada pela CBF, que nega inclusive ter feito qualquer contato com o treinador – ecoaria como absurda num país que inúmeras vezes encerrou o trabalho de técnicos no meio do ciclo de Copa, por tropeços em eliminatórias ou Copa América; um país que tantas vezes, por conta de seu calendário insano, pede para que o técnico da seleção nem convoque os melhores jogadores disponíveis; um país que, acima de tudo, avaliará o trabalho do seu futuro treinador baseando-se apenas na próxima Copa e nos seus três, quatro, cinco, seis ou sete jogos. É isso que vai contar.

Imaginar a possibilidade de abrir mão de Carlo Ancelotti porque ele não assumiria pessoalmente a seleção brasileira em tempo de comandá-la em uma ou, no máximo, duas datas-Fifa de 2023 soaria como piada. Mas uma piada que, infelizmente, não nos surpreenderia. 

 
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Tite cometeu erros, um deles claro, mas classificar todo seu trabalho como fraco soa oportunismo

Gian Oddi
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OBrasil não havia sofrido sequer um chute a gol no momento em que a bola desviada em Marquinhos morreu no gol de Alisson, levando o jogo para a disputa de pênaltis que terminaria com o Brasil eliminado e a Croácia classificada às semifinais da Copa do Mundo.

As 21 finalizações da seleção brasileira (11 no gol) foram em vão, muito também pela excepcional atuação do goleiro Livakovic, eleito corretamente o melhor em campo no confronto desta sexta-feira (9).

CROÁCIA 1 (4) x (2) 1 BRASIL: ASSISTA PELA Golden Queen NO STAR+ AO COMPACTO DO JOGO COM NARRAÇÃO DE NIVALDO PRIETO E COMENTÁRIOS DE LEONARDO BERTOZZI

Dito assim, o resultado poderia aparentar ser reflexo de uma injustiça que não houve, considerando-se a atuação impecável da Croácia, dentro das suas possibilidades, e a execução de um plano de jogo quase à perfeição (o seria mesmo com derrota).

Mas se não serve para classificar o resultado como “injusto”, o roteiro dos 120 minutos serve, sim, para mostrar que o trabalho de Tite neste último ciclo não é o desastre que agora se pinta no calor da eliminação. Afinal, sabemos, não foi à toa que o Brasil chegou favorito como chegou ao Qatar.

Hoje foram cometidos erros.  Alguns discutíveis e outros, não.

Tite, técnico da seleção brasileira, durante a Copa do Mundo
Tite, técnico da seleção brasileira, durante a Copa do Mundo Lucas Figueiredo/CBF

Nada explica o fato de Neymar não cobrar, se não o primeiro pênalti da série de cinco, pelo menos a penalidade decisiva – aquela que, se perdida (como foi, por Marquinhos), eliminaria a seleção brasileira. Deveria tê-lo feito, por iniciativa própria ou cumprindo ordens de Tite, e não o fez.

Também é difícil entender a saída de Vinícius Júnior tão cedo, mesmo que para a entrada de Rodrygo. A postura da equipe a três minutos do final, vencendo a prorrogação por 1 a 0, contra um time de qualidade, é de compreensão ainda mais nebulosa, sobretudo para uma seleção habituada a se defender tão bem quanto a brasileira.

Mas o quanto esses (eventuais) erros de hoje podem e devem pesar numa avaliação ponderada e acima de tudo honesta do trabalho de Tite?

Vale pensar o que estaríamos dizendo agora no caso de a bola do gol croata não ter desviado em Marquinho. As críticas mais duras estariam mantidas, apesar da vitória? Difícil crer nisso. Então, o quanto é justo esses poucos centímetros mudarem tanto uma análise?

Este texto pode soar repetitivo, eu sei, porque é também repetitivo o hábito de mudar radicalmente uma avaliação baseada em um único placar, de um único jogo, muitas vezes definido por um detalhe – como aconteceu nesta terça-feira.


 
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A Copa do Mundo e a força de cada continente

Gian Oddi
Gian Oddi

Talvez não haja um segmento da sociedade onde conclusões costumam nascer (e morrer) tão rapidamente quanto no futebol. Basta um campeonato, às vezes uma fase, em certos casos poucos jogos, para que se chegue a ideias definitivas sobre forças ou fragilidades de equipes, jogadores e técnicos.

No futebol brasileiro, especialmente, estamos acostumados a isso: times e profissionais “fracassam” antes mesmo de chegar à metade de um torneio, enquanto os sucessos, também meteóricos, costumam ter prazo de validade igualmente acelerado.

É normal, portanto, que esse tipo de conclusão seja agora transposto à Copa do Mundo, que hoje atrai todas as atenções de quem acompanha (e até de quem não acompanha) futebol diariamente.

A conclusão da vez pelo que tem ocorrido no Mundial é a seguinte: as seleções europeias, há poucos meses apontadas como as principais forças do planeta por causa das últimas quatro Copas do Mundo vencidas, estão enfraquecidas; não havia por que apontá-las como tão temidas, ao lado de BrasileArgentina.

 Alemanha, de Havertz e Götze, está fora da Copa: o que isso diz sobre o futebol europeu?
Alemanha, de Havertz e Götze, está fora da Copa: o que isso diz sobre o futebol europeu? Getty Images

É verdade que o surgimento da Nations League, um campeonato de seleções que praticamente impede o enfrentamento dos europeus contra selecionados de outros continentes durante um ciclo de Copa, aguçou a curiosidade de todos nós: será que isso prejudicará os sul-americanos, que agora enfrentam equipes mais fracas em sua preparação? Ou será que isso vai desgastar mais os europeus, quase sempre submetidos a jogos oficiais e valendo título, sem tempo para amistosos? A falta de intercâmbio ajuda quem? Prejudica quem?

É um fato, e não uma impressão: temos nas oitavas de final desta Copa do Mundo representantes de todos os continentes do planeta, algo inédito (e muito legal). Alemanha e Itália, os dois maiores gigantes europeus, estão fora delas, e potências de segundo nível como Bélgica e Dinamarca caíram mais cedo do que se imaginava. Holanda e Polônia avançaram, mas com futebol medíocre.

São todos fatos, incontestáveis. Mas parece contestável a tese de que “o futebol europeu de seleções ficou mais fraco”, de que não havia por que temer essas equipes.

Num Mundial de tantas zebras, com classificações determinadas em seis jogos por grupo, jogos que frequentemente nem refletiram o que houve em campo, qualquer conclusão nesse sentido é precipitada. Pode até ser que isso um dia venha a se confirmar, mas, hoje, não dá pra dizer que é assim.

Se tivermos, por exemplo, as próximas semifinais de Champions League sem equipes inglesas, será que ousaremos discutir a superioridade dos times da Inglaterra de forma geral, considerando não só a qualidade como a quantidade dessas equipes, e não olhando só para um ou dois times especificos (“o Real Madrid é o melhor”)?

Provavelmente, não. No futebol de seleções, deveria valer o mesmo. 

Se Espanha ou França ficarem com o título da Copa do Mundo, voltaremos a salientar o fato de que “a Europa ganhou cinco Copas seguidas” e passaremos a clamar por alguma solução para o futebol sul-americano? Também não faria sentido.

Uma fase de grupos de Copa do Mundo, ainda incompleta, diz pouco sobre as potências de cada continente, as tendências ou os motivos de evoluções e retrocessos. Para chegar a conclusões do gênero, precisamos de recortes maiores, com muito mais jogos e campeonatos, em períodos de vários anos.

Assim como (ainda) ocorre nesta Copa, a Europa provavelmente continuará tendo um número maior de sérios candidatos ao título. Mas, por sorte, dificilmente deixará de ter ao seu lado pelo menos duas seleções sul-americanas, entre elas a principal favorita para este ano – a seleção brasileira. 


 
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A Copa do Mundo e a força de cada continente

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Se ganhar, se perder, se empatar: a matemática de todas as seleções para a última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo

Gian Oddi
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Alemanha x Espanha neste domingo: alemães seguem vivos; espanhóis estão perto de garantir liderança
Alemanha x Espanha neste domingo: alemães seguem vivos; espanhóis estão perto de garantir liderança Getty Images

Após 9 dias de disputa, temos apenas três seleções já classificadas, a França, o Brasil e Portugal, e duas já eliminadas, o anfitrião Catar e o Canadá, na Copa do Mundo de 2022. Todas as outras ainda fazem contas para entender do que vão precisar na última rodada da fase de grupos para avançar às oitavas de final da competição. Confira abaixo a situação de todas essas equipes.

 

** GRUPO A **
Últimos jogos: Holanda x Catar e Equador x Senegal

HOLANDA (4 pontos)
Se vencer – está classificada, mas para ficar em 1º não pode vencer por uma diferença de gols menor do que uma eventual vitória do Equador (se ambos vencerem pela mesma diferença e com o mesmo número de gols feitos, a decisão do 1º lugar vai para o critério disciplinar, de cartões recebidos).

Se empatar – garante a classificação, mas para ficar em 1º vai precisar que Equador e Senegal também empatem, por menos ou pelo mesmo número de gols que o seu empate (no segundo caso, a decisão vai para os cartões).

Se perder – no caso de uma vitória do Equador, se classifica do mesmo jeito. Caso haja empate ou vitória de Senegal, aí dependeria do saldo de gols ou dos gols marcados para desempate do 2º lugar com senegaleses ou equatorianos.


EQUADOR (4)

Se vencer – está classificado, e pode ser 1º caso a Holanda não ganhe seu jogo ou, com vitórias de ambos, consiga superar os holandeses no saldo, nos gols pró ou nos cartões recebidos (hoje o desempate é favorável à Holanda apenas nos cartões).

Se empatar – está classificado, e ainda pode ser primeiro caso a Holanda perca ou empate com o Catar com menos gols marcados (ou tomando cartões suficientes para colocar os sul-americanos na frente neste critério).

Se perder – só se classifica caso a Holanda também perca do Catar, por uma diferença maior de gols ou, em caso de diferença igual, marcando menos gols ou tomando muitos cartões.  


SENEGAL (3)
Se vencer – está classificado e pode ser 1º caso a Holanda não vença.

Se empatar – só se classifica caso a Holanda perca por mais de 1 gol do Catar (se seriam 2 ou 3 os gols de diferença necessários depende dos gols marcados na última rodada).

Se perder – está eliminado.


CATAR (0, já está eliminado)


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** GRUPO B **
Últimos jogos: Irã x EUA e Gales x Inglaterra

INGLATERRA (4)
Se vencer – está classificada e garante a liderança.

Se empatar – está classificada e será líder caso o Irã não ganhe dos EUA.

Se perder – só seria eliminada perdendo por 4 ou mais gols de diferença. Perdendo por menos pode inclusive se manter na liderança, caso EUA e Irã empatem.


IRÃ (3)
Se vencer – está classificado e pode ser líder caso a Inglaterra não vença.

Se empatar – está classificado, contanto que Gales não vença os ingleses.

Se perder – está eliminado.


EUA (2)
Se vencer – está classificado, e ainda pode ser líder caso a Inglaterra perca seu jogo.

Se empatar ou perder – Está eliminado.


PAÍS DE GALES (1)
Se vencer – aplicando uma goleada por ao menos 4 gols na Inglaterra, se classifica sem depender do outro jogo. Em caso de vitória por menos gols, depende do empate entre EUA e Irã para avançar.

Se empatar ou perder – está eliminado.


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** GRUPO C **
Últimos jogos: Polônia x Argentina e Arábia Saudita x México

POLÔNIA (4)
Se vencer – está classificada e garante a liderança.

Se empatar – está classificada e será líder caso a Arábia não vença.

Se perder – ainda assim tem chances de avançar, dependendo de saldos e gols marcados. Por exemplo: perdendo por menos de dois gols, avançaria às oitavas com empate ou com vitória do México por apenas 1 gol de diferença no outro jogo.


ARGENTINA (3)
Se vencer – está classificada. E ainda será líder se a Arábia não vencer o México por uma diferença de gols consideravelmente maior que a da sua própria vitória (o quanto, se 3 ou 4, depende dos gols marcados).

Se empatar – ainda assim pode se classificar, contato que haja empate no outro jogo, ou que o México vença os árabes por menos de 3 ou 4 gols de diferença (o número exato depende dos gols marcados).

Se perder – está eliminada.


ARÁBIA SAUDITA (3)
Se vencer – está classificada e ainda pode ser líder, dependendo para isso de um empate no outro jogo (ou até mesmo de uma vitória argentina, mas neste caso precisaria tirar desvantagem no saldo ou gols marcados).

Se empatar – ainda tem chances de classificar, mas para isso precisará que haja um vitorioso com boa margem de gols (provavelmente pelo menos 3, vai depender dos gols marcados) no confronto entre Polônia e Argentina.

Se perder – está eliminada.


MÉXICO (1)
Se vencer – se classifica caso a Polônia derrote a Argentina. Se houver empate no outro jogo, a vitória mexicana precisará ser por pelo menos 3 ou 4 gols de diferença (depende dos gols marcados). Já se a Argentina ganhar, será preciso o México tirar a vantagem dos poloneses no saldo (hoje 2 contra -2).   

Se empatar ou perder – está eliminado.

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** GRUPO D ** 
Últimos jogos: Tunísia x França e Austrália x Dinamarca

FRANÇA (6, já classificada)
Se vencer ou empatar – garante a liderança.

Se perder – só deixa de ser líder caso a Austrália goleie a Dinamarca por 6 ou mais gols.


AUSTRÁLIA (3)
Se vencer – está classificada.

Se empatar – só perde a vaga caso a Tunísia derrote a França.

Se perder – está eliminada.


DINAMARCA (1)
Se vencer – está classificada, contato que a Tunísia não vença a França por uma diferença maior ou então marcando 1 ou 2 (depende dos cartões) gols a mais que os dinamarqueses.

Se empatar ou perder – está eliminada.


TUNÍSIA (1)
Se vencer – se classifica caso Austrália e Dinamarca empatem. Na possibilidade de uma vitória dos dinamarqueses também tem chances, contato que consiga superá-los no saldo de gols (hoje empatado), nos gols marcados (hoje +1 para a Dinamarca) ou até nos cartões.

Se empatar ou perder – está eliminada

 

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** GRUPO E **
Últimos jogos: Japão x Espanha e Costa Rica x Alemanha

ESPANHA (4)
Se vencer – está classificada e garante a liderança.

Se empatar – também se classifica. E ainda será líder caso nenhuma das duas coisas ocorra: a Costa Rica vencer os alemães, e a Alemanha aplicar uma goleada de ao menos 8 gols de diferença.

Se perder – se classifica caso a Costa Rica não vença; e a Alemanha também não pode aplicar uma goleada suficiente para superar os espanhóis nos critérios de desempate (hoje a vantagem da Espanha no saldo é de +8).


JAPÃO (3)
Se vencer – está classificado e será líder.

Se empatar – só se classifica em caso de empate no outro jogo, ou caso a vitória da Alemanha não seja por mais de 1 gol de diferença (neste caso, o empate do Japão teria que ser marcando pelo menos o mesmo número de gols que os alemães na sua vitória).

Se perder – está eliminado.


COSTA RICA (3)
Se vencer – está classificada. E ainda será líder caso Espanha e Japão empatem (ou no caso de uma impossível goleada descomunal sobre a Alemanha).

Se empatar – se classifica caso a Espanha derrote o Japão.

Se perder – está eliminada.


ALEMANHA (1)
Se vencer – está classificada caso a Espanha vença o Japão. Se houver empate no outro jogo, precisará vencer por ao menos 2 gols de diferença (vencendo por 1, a decisão iria para o critério dos gols marcados - hoje empatado - com o Japão). Se os japoneses vencerem, precisará golear a Costa Rica por uma enorme margem de gols a ponto de superar os espanhóis nos critérios desempate (hoje o saldo da Espanha é 7 e o dos alemães, -1).  

Se empatar ou perder – está eliminada.

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** GRUPO F **
Últimos jogos: Croácia x Bélgica e Canadá x Marrocos

CROÁCIA (4)
Se vencer – está classificada, e garante a liderança caso Marrocos não vença por margens maiores, conseguindo assim tirar sua desvantagem nos critérios de desempate (-1 no saldo, -2 dos gols marcados).

Se empatar – garante a vaga, e ainda permanece na liderança se Marrocos não vencer.

Se perder – só se classifica caso Marrocos seja derrotado pelo Canadá.


MARROCOS (4)
Se vencer – está classificado, e ainda será líder caso a Croácia não vença ou caso consiga superá-los nos critérios de desempate como saldo de gols (hoje a -1) ou gols feitos (-2).

Se empatar – está classificado no 2º lugar do grupo.

Se perder – ainda assim avança, caso a Croácia vença ou empate com os belgas (no caso do empate, a derrota marroquina não poderá ser por mais de 2 ou 3 gols, a depender dos gols marcados). Se a Bélgica ganhar, aí a disputa com os croatas pela 2º vaga se daria nos critérios de desempate hoje desfavoráveis a Marrocos como saldo (-1) ou gols feitos (-2).  


BÉLGICA (3)
Se vencer – está classificada e pode até ser 1ª, caso Marrocos não derrote o Canadá.

Se empatar – para se classificar vai precisar de uma vitória do Canadá sobre Marrocos por pelo menos 3 ou 4 gols (a depender dos gols feitos na última rodada).

Se perder – está eliminada.

CANADÁ (0, já eliminado)

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** GRUPO G **
Últimos jogos: Brasil x Camarões e Sérvia x Suíça

BRASIL (6, já classificado)
Se vencer ou empatar – se classifica como líder do grupo. 

Se perder – ainda assim se classifica, e mantém o 1º lugar caso a Suíça não vença por uma diferença de gols capaz de fazê-la superar os brasileiros nos critérios de desempate (hoje a vantagem é de +3 para o Brasil no saldo, o primeiro critério).


SUÍÇA (3)
Se vencer – se classifica. Para ser líder, precisaria vencer por a Sérvia por vários gols de diferença e ainda torcer por derrota do Brasil, de modo a superar os brasileiros no saldo (hoje está a -3) ou gols marcados (hoje a -2).

Se empatar – se classifica, contanto que Camarões não derrote o Brasil (no caso de um empate por 3 ou mais gols ainda teria uma possibilidade de avançar mesmo com uma vitória camaronesa, a depender dos gols marcados).

Se perder –está eliminada.


CAMARÕES (1)

Se vencer – se classifica caso a Suíça não derrote a Sérvia (embora um empate por 3 ou mais gols dos suíços poderia obrigar Camarões a vencer por mais de um gol de diferença).     

Se empatar ou perder – está eliminado.


SÉRVIA (1)

Se vencer – se classifica caso Camarões não vença o Brasil. Em caso de vitória camaronesa, a vitória dos sérvios precisaria ser por um placar que lhe permita superar Camarões no saldo de gols (hoje está a -1) ou, em caso de empate no saldo, em número de gols marcados (hoje há empate).  

Se empatar ou perder – está eliminada.


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** GRUPO H ** 
Últimos jogos: Coréia do Sul x Portugal e Gana x Uruguai

PORTUGAL (6, já classificado)
Se vencer ou empatar – garante a liderança.

Se perder – ainda assim se classifica, mas só mantém o 1º lugar caso Gana não derrote o Uruguai por uma diferença de gols capaz de fazê-la superar os portugueses no saldo de gols (hoje +3 para Portugal) ou mesmo no segundo critério de desempate, o de gols marcados (hoje igual).


GANA

Se vencer – se classifica. Para ficar em primeiro, vai precisar torcer por derrota dos Portugueses e ainda tem que superá-los no saldo (hoje está em desvantagem de -3) ou, em caso de empate no saldo, no número de gols marcados (hoje empatado). 

Se empatar – fica com a vaga caso a Coréia não derrote Portugal por mais de um gol de diferença (em caso de vitória coreana por 1 gol apenas, os asiáticos não poderiam marcar gols suficientes para superar os ganeses em gols marcados - hoje a vantagem dos africanos é de +3).

Se perder – está eliminada.

URUGUAI
Se vencer – está classificado, contanto que a Coréia não vença Portugal pela mesma (ou por maior) diferença de gols. Se a Coréia derrotar Portugal por apenas 1 gol de vantagem a menos que a vitória dos uruguaios, aí a Celeste teria que marcar pelo menos 2 ou 3 gols a mais (depende dos cartões) que os coreanos na última rodada. 

Se empatar ou perder – está eliminado


CORÉIA DO SUL
Se vencer – se classifica caso o Uruguai não vença Gana por uma diferença de 2 gols a mais que a vitória coreana. Se os uruguaios vencerem por apenas 1 gol a mais que a vitória da Coréia, então os sul-coreanos torcem para que o Uruguai não faça 2 ou 3 gols a mais (depende dos cartões) na última rodada.  

Se empatar ou perder – está eliminada.



 
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No Brasil, Argentina traz ares de futebol de clubes à Copa do Mundo

Gian Oddi
Gian Oddi

Há quem acredite que o verdadeiro apaixonado por futebol é aquele que se interessa pelo tema diariamente, em todos os anos durante o ano todo, e não quem se atrai pela modalidade a cada quadriênio, apenas na disputa de uma Copa do Mundo.

Pode até ser. Mas ainda que seja assim, vale fazer a ressalva do quanto é empolgante, para quem ama futebol, vê-lo atraindo para si todos os holofotes do noticiário mundial durante um mês inteiro a cada 1.500 dias.

Em quase qualquer país do planeta, uma das principais diferenças entre o futebol doméstico para a Copa do Mundo costuma ser a ausência da rivalidade, da tiração de sarro constante, aquele prazer de desfrutar da derrota de um rival tanto quanto da sua própria vitória.

Numa Copa do Mundo, o marcante costuma ser a união nacional em torno de uma única equipe, enquanto a preocupação com o outro, tão comum entre os torcedores de clubes, perde completamente espaço.

Não no Brasil.

Passadas pouco mais de 24 horas da derrota da Argentina para a Arábia Saudita em sua estreia da Copa do Mundo, a constatação se torna evidente.

Messi desapontado durante Argentina x Arábia Saudita: derrota argentina gerou euforia no Brasil
Messi desapontado durante Argentina x Arábia Saudita: derrota argentina gerou euforia no Brasil Juan Ignacio Roncoroni/EFE

Poucos minutos após o incrível gol da virada marcado por Al-Dawsari, o tema já dominava as redes sociais dos brasileiros, atingindo todos os trending topics e recheando de memes nosso universo virtual.

No mundo real, apesar do horário ingrato para um jogo de futebol, gritos, cornetas e até fogos de artifício puderam ser ouvidos em bairros das mais variadas cidades brasileiras.

Um brasileiro maluco se meteu no meio da fun fest em Buenos Aires para acompanhar ao jogo entre argentinos e árabes com uma camisa do Brasil escondida sob o casaco.

Galvão Bueno, o maior narrador de TV da história do país e talvez um dos principais responsáveis pela geração dessa rivalidade por aqui, divulgou vídeos nos quais vibrava com o resultado do jogo.

Veículos de comunicação, mesmo os supostamente jornalísticos, deixaram a compostura de lado (em alguns casos perdendo a mão nos termos utilizados) para comemorar a derrota dos vizinhos.  

Até mesmo uma propaganda de 'pipoca', já engatilhada para o caso de um eventual tropeço dos hermanos, pode ser vista no intervalo do Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência do país.

É um caso único no mundo.

Peguemos, por exemplo, a rivalidade entre as duas maiores, mais tradicionais e mais vencedoras seleções europeias: Alemanha e Itália cansaram de se enfrentar em duelos decisivos e já fizeram até final de Copa do Mundo. A Alemanha já ganhou uma Copa jogando na Itália, a Itália já ganhou uma Copa jogando na Alemanha, mas não há paralelo possível com o que ocorre entre Brasil e Argentina, naquilo que uma derrota do rival pode gerar.

Há, sim, outras rivalidades muito significativas, casos em que o fracasso de uma seleção específica causará enorme satisfação, mas nesses casos encontraremos, em geral, razões históricas que extrapolam o futebol, como ocorre entre a mesma Argentina e a Inglaterra ou, eventualmente, entre franceses e ingleses.

Brasil e Argentina só precisaram do futebol para gerar a rivalidade da qual desfrutam. E, sim, apesar de alguns exageros eventuais, é esse mesmo o verbo: desfrutam. Como vimos na terça-feira.

 
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Convocação de Daniel Alves foi um alívio para muita gente

Gian Oddi
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Daniel Alves foi convocado,e aqueles que não conseguem passar por uma convocação de seleção brasileira sem tocar a corneta podem até agradecer pela chamada do veterano lateral-direito. Não fosse seu nome, praticamente não haveria margens para críticas na lista dos 26 chamados para a Copa do Qatar.

Tudo que Dani Alves não fez nos últimos tempos, além da condição física discutível de um jogador de 39 anos, tornam compreensíveis as críticas ao seu chamado. Mas é inevitável ponderar que o principal motivo de sua convocação – por mais que Tite jamais vá admitir – é a falta de bons concorrentes para a posição. A alternativa ao seu nome, portanto, seria o chamado de um outro zagueiro, provavelmente Gabriel Magalhães, o que transformaria Eder Militão na primeira opção para a lateral-direita, depois do titular Danilo.

Valeria a mudança na lista? Talvez, até pelo altíssimo nível que Gabriel vem demonstrando no Arsenal. Mas também não se pode classificar como absurda a opção por um jogador de características mais distintas das do elenco convocado, para não falar de sua experiência descomunal.

Entre as demais escolhas sobre as dúvidas que ainda pairavam, quem acompanhou os últimos anos do zagueiro Bremer no futebol italiano, sobretudo no Torino, sabe que não é possível fazer qualquer ressalva ao seu chamado para ser o quarto zagueiro da relação para o Mundial.

Gabriel Martinelli talvez tenha sido a maior surpresa da lista, e possivelmente nem estaria na relação se Phillippe Coutinho não estivesse machucado (também não saberemos). A "surpresa", entretanto, não ocorre pelo nível do seu futebol, que tem sido alto, e sim pelo fato de que, além dele, foram convocados vários outros jogadores para posições iguais às suas.

Sendo assim, é possível questionar se não faria sentido chamar um jogador para atuar mais centralizado, como faz Roberto Firmino ou mesmo um atleta que tenha jogado uma  boa temporada no Brasil. É possível questionar, mas é pouco para se contestar com contundência.

Na convocação de uma seleção como a brasileira, boas opções sempre ficarão de fora da lista final, e inevitavelmente caberá alguma discussão sobre uma ou outra escolha do treinador. É preciso admitir, contudo, que a convocação desta segunda-feira (7) deu o mínimo de margem possível para questionamentos ou inconformismos.

Para quem não resistir, haverá sempre Daniel Alves.

Tite orienta Daniel Alves na seleção
Tite orienta Daniel Alves na seleção Getty Images
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